quarta-feira, 22 de abril de 2009

É HORA DE ARRUMAR A CASA...


Nunca foi santo. Assim poderia ter se definido o deputado federal Fernando Gabeira, ícone das eleições municipais passadas na cidade do Rio de Janeiro, apontado como uma das últimas reservas de ética na política nacional por seus eleitores, e pego com a boca na botija no rastro do escândalo dos desvios de passagens aéreas no Congresso Nacional. Afinal, reconheceu seu erro e dispôs-se a reembolsar a Casa pelo mau uso das passagens. Mas penso que alardear uma possível “morte política” seja exagerar nas tintas e querer, de certa forma, tirar proveito indevido de um arrependimento que pode até ser sincero.
Não foi a mesma postura adotada por seu superior, o também deputado e presidente da Câmara, Michel Temer, que justificou o mau uso da sua cota de passagens aéreas com a desculpa – pra lá de esfarrapada – de que falta regulamentação sobre o uso do recurso.
Lembrando o competente jornalista Elio Gaspari, tem parlamentar achando que sou o Eremildo, o idiota. Por não haver regulamentação expressa a respeito do uso do recurso público, com parágrafos, alíneas e incisos, acham que podem fazer o que bem entendem com suas passagens aéreas. E, com isso, despacham namoradas, mulheres, sogras, cunhados e amantes para a Europa, Estados Unidos, Fernando de Noronha ou qualquer outro lugar que lhes aprouver. Afinal, o recurso é público, não é mesmo? Ou seja, não sai do bolso deles... Enquanto eu e você temos que batalhar no dia-a-dia com o vale transporte, com a conta ou o cartão de celular, o senador empresta o celular pago pelo Congresso (ou seja, com o MEU dinheiro) para a filhinha que vai passear no México.
Meu pai foi funcionário público, por quase toda sua vida. Eu mesmo trabalhei para município, estado e União, por diversas vezes. Não passei por todas estas instâncias procurando moleza, uma teta para mamar. Estive nestes lugares por méritos próprios, por competência técnica, após passar por processos seletivos. Encaro o serviço público antes como trabalho, atividade produtiva, não como cabide de emprego, onde chego para pendurar o paletó e só volto para pegá-lo na hora de ir embora.
E, como se não bastassem os ensinamentos de meu pai – que morreu pobre, mas digno – sempre tive em mente de que os recursos disponíveis no serviço público são para USO EXCLUSIVO EM SERVIÇO, e que não podem ser usados por terceiros. Não precisei ler isso em lugar algum. É simples questão de decência, de ética, de vergonha na cara. Coisa que os excelentíssimos senhores congressistas não têm. E já estou quase me convencendo de que essa regra não tem exceção.

Só espero que meus conterrâneos lembrem disso nas próximas eleições.

Um comentário:

Sirlene disse...

Impecável, como sempre! Esse meu amigo Marcelão é o "must" mesmo! Deixo meu adendo: das muitas revoltas que sinto, essa, da insensatez generalizada nesse governo inescrupuloso, tem sido a mais latente!
"Vergonha" é palavra de ordem... a que ponto chegamos!
Saudades de você, querido amigo!
Grande beijo! Sirlene